top of page
  • Foto do escritorMARIANA VIEIRA

Como falar sobre sexo com os adolescentes?


Fonte: Canva


A adolescência é uma fase marcada por diversas mudanças físicas, biológicas e psicológicas. Nesse período, também ocorrem mudanças de identidade pessoal e sexual, incluindo o despertar da sexualidade, que ocorre de forma cada vez mais precoce, tornando-os vulneráveis às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e à gravidez indesejada. (OLIVEIRA, et al, 2022)


A forma como os adolescentes vivem a sua sexualidade está intimamente associado a processos experimentais, que são acelerados durante a juventude, sendo muitas vezes associados a comportamentos de risco, como uso de drogas e múltiplos parceiros sexuais, portanto, torna-se necessário promover ações direcionadas a educação em saúde para o público, tanto em ambiente escolar, familiar, social e nas atividades de saúde.


Fatores que favorecem a iniciação sexual precoce:

Segundo a Frebrasgo (2018), alguns fatores podem favorecer a iniciação precoce das adolescentes, segue abaixo a lista:

- Fatores biológicos:

  • Impulso sexual associado à elevação dos androgênios no período puberal

- Fatores psíquicos, emocionais e comportamentais:

  • Pressão do parceiro para aumentar a intimidade e iniciar as relações sexuais;

  • Baixa autoestima e insegurança;

  • Violência sexual (abuso sexual);

  • Uso de drogas e álcool;

- Fatores ambientais:

  • Baixa condição socioeconômica;

  • Ser filha de mãe adolescente;

  • Falta de monitoramento dos pais;

  • Pais separados;

  • Pais negligentes;

  • Lares conflituosos;

  • Conflito dos pais e com os pais;

  • Viver com apenas um dos pais;

  • Baixo nível escolar;

  • Estímulo sexual precoce na mídia;

- Deficiência de políticas públicas de cuidado à saúde sexual do adolescente:

  • Ausência de programas de educação sexual na escola;

  • Desconhecimento do adolescente sobre ISTs/HIV;

  • Influência do meio; amigas que iniciaram a vida sexual;


Falar sobre sexo com adolescente, incentiva a fazer o ato?

A educação sexual não incentiva a sexualidade precoce. Pelo contrário, promover uma conversa eficiente e qualificada sobre o assunto, tende a fazer com que os adolescentes façam escolhas melhores do que os que não tiveram acesso à informações corretas.


Um estudo realizado por Danzmann et al (2022), que buscou identificar por meio de uma revisão sistemática, como são transmitidos as informações sobre educação sexual para adolescentes em diferentes contextos, constatou que no ambiente familiar, as informações são insuficientes, devido a dois motivos pontuados no artigo: 1) os filhos não se sentem confortáveis para conversar sobre o assunto com os pais, 2) os pais se sentem despreparados para compartilhar as informações necessárias, além do desconforto que sentem ao abordar o assunto.


As famílias que não se sentem preparadas para falar sobre o assunto, podem e devem recorrer aos ambientes de saúde, ESF ou até mesmo consultórios particulares que sejam adotados por equipe capacitada para realizar a consulta com o adolescente, afim de desenvolver uma educação em saúde, baseada em evidências..


Medidas educativas sobre sexualidade na adolescência:

O profissional de saúde, principalmente o enfermeiro, deve estar apto e capacitado para conhecer as especificidades da atenção ao adolescente e necessita compreender os determinantes sociais que permeiam a vida desses jovens.


A maior dificuldade em captar essa clientela, seja na ESF ou em consultório/clínica particular, é a tendência dos adolescentes em não procurar as unidades de saúde, sendo necessária uma busca ativa para estabelecer uma ação educativa nesses espaços. Ou, de forma mais eficiente, deve-se levar em questão, os espaços de maior circulação e atração para os adolescentes e estabelecer a atividade no espaço que lhe é familiar (por exemplo: praças e quadras poliesportivas), favorecendo a promoção da educação em saúde.


A Febrasgo (2018) propôs algumas medidas educativas acerca da sexualidade, que podem ser adotadas por enfermeiros e profissionais de saúde:


  • Esclarecer sobre a anatomia da genitália, medidas higiênicas, fases da resposta sexual (desejo, excitação, orgasmo e satisfação sexual) que podem ser alteradas por vários fatores biológicos, psíquicos e relacionais;

  • Orientar os pais sobre não restringir a iniciação sexual para adolescentes com desenvolvimento psicoemocional e cognitivo adequado. A restrição da vivência sexual para essas adolescentes estimula a iniciação sexual precoce;

  • Alertar a adolescente sobre a pressão de amigas e do namorado, bem como da influência da mídia para a iniciação sexual. Reforçar a importância de ela mesma decidir o melhor momento para iniciar a vida sexual.

  • Estimular o uso do preservativo e de um método anticoncepcional eficaz;

  • Orientar vacinas para HPV, hepatite B e outros;

  • Informar sobre a segurança dos anticoncepcionais hormonais. Lembrar que o anticoncepcional combinado não afeta a estatura e o peso corporal;

  • Informar sobre contágio das ISTs/HIV. O conhecimento sobre essas doenças contribui para postergar o início da vida sexual precoce e reduz o sexo desprotegido;

  • Detalhar sobre o uso correto do preservativo e de método anticoncepcional eficaz.


No livro "Cuidado integral à saúde adolescente" publicado por Santos e Costa (2019), relata algumas ações da enfermagem no que tange às ações educativas no ambiente de saúde:


- Adolescentes em geral:

  • Realizar consultas de enfermagem;

  • Encaminhar para as referências, se necessário;

  • Incluir adolescentes e jovens nas ações coletivas, individuais de prevenção e acompanhamento de ISTs/ aids, se for necessário;

  • Ofertar e/ou encaminhar para diagnóstico de HIV, sífilis e hepatites

  • Fornecer preservativos sem barreiras;

  • Disponibilizar métodos anticoncepcionais de emergência;

  • Reforçar a dupla proteção;

  • Realizar aconselhamento, priorizando os passos de reflexão sobre o contexto de vulnerabilidade de adolescentes e jovens;

  • Incluir os/as adolescentes e jovens nas ações coletivas e individuais de planejamento sexual e reprodutivo;

- Adolescentes vítimas de violência sexual:

  • Realizar consultas de enfermagem;

  • Realizar todas as ações previstas no protocolo básico e realizar os exames necessários;

  • Tratar as iSTs/aids e acompanhar a evolução clínica;

  • Evitar a gravidez indesejada pós-estupro, com a anticoncepção de emergência;

  • Preencher a ficha de notificação compulsória de violência sexual e encaminhar uma cópia ao Conselho Tutelar, ao Ministério Público, à Vara da Infância e da Juventude, às Delegacias da Criança e Adolescentes ou às delegacias locais;

  • Orientar os pais ou os responsáveis sobre os direitos de adolescentes e suas responsabilidades de proteção sobre os adolescentes.

- Adolescentes com IST diagnosticado;

  • Realizar consulta e assistência de enfermagem baseado no tratamento prescrito,

  • Evitar as complicações advindas das ISTs;

  • Interromper a cadeia de transmissão;

- Adolescentes gestantes:

  • Realizar consultas de enfermagem, incluindo pré-natal e puerpério;

  • Realizar exames de rotina, incluindo testes para HIV;

  • Incluir os adolescentes nas ações de planejamento sexual e reprodutivo;


É importante que tanto o profissional que realizará o acolhimento, quanto a família, incentivem o protagonismo do adolescente, oferecendo escuta ativa e esclarecimento de dúvidas sem julgamentos, ofensas e sermões.


Se você gostou do conteúdo, compartilha o link com os amigos e me siga nas redes sociais e faça parte do time de mulheres bem informadas.



Referências bibliográficas:

DANZMANN, Pâmela Schultz et al. Educação sexual na percepção de pais e adolescentes: uma revisão sistemática. Revista Psicologia, Diversidade e Saúde. 2022. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1377598


MALAVÊ, Mayra. Adolescentes e saúde sexual reprodutiva. IFF/FIOCRUZ. 2022. Disponível em: https://iff.fiocruz.br/index.php?view=article&id=236:adolescentes-e-saude-sexual-e-reprodutiva&catid=8


LARA, Lúcia Alves da Silva. Sexualidade na Adolescente: Necessidades específicas para o atendimento de pacientes adolescentes. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo); 2018. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/FeminaZ04Z-ZAbrZ2019.pdf


OLIVEIRA, Alana dos Santos; et al. Comportamento de adolescentes do sexo feminino acerca da utilização de preservativos. Av Enferm. 2022. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2023/02/1370929/revista_40-2_art89879_ojs.pdf


SANTOS, Edemilson Picheck dos; COSTA, Aline do Amaral Zils. Cuidado integral á saúde do adolescente. SAGAH. 2019.

11 visualizações

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page