top of page
  • Foto do escritorMARIANA VIEIRA

Sobrecarga Mental Feminina: impactos na saúde e medidas de autocuidado

Por: Mariana Vieira e Victória Simionato


A sobrecarga mental feminina é um fenômeno complexo e frequentemente invisível, que impacta significativamente a vida das mulheres em diversas esferas. Neste artigo vamos explorar os efeitos dessa sobrecarga na saúde mental e física das mulheres, além de propor medidas de prevenção e autocuidado para mitigar seus efeitos adversos.





Impactos da Sobrecarga Mental Feminina

O público feminino demonstra uma considerável vulnerabilidade ao adoecimento mental, como evidenciado pela alta prevalência de transtornos mentais comuns, que varia de 28,7% a 50%, especialmente entre mulheres e idosos. (PEREIRA, et al).


A maior vulnerabilidade feminina aos transtornos mentais pode ser atribuída a várias causas, como as alterações no sistema endócrino durante o período pré-menstrual, pós-parto e menopausa; pequenas diferenças cerebrais, com algumas características mais comuns no cérebro feminino do que no masculino; e desigualdades de gênero, que incluem desde a sobrecarga de trabalho doméstico até altas taxas de violência. Além dos fatores biológicos e sociais que contribuem para as diferenças nos índices de transtornos mentais entre homens e mulheres, alguns fatores de risco são compartilhados por ambos os sexos, como condições e suporte psicossociais, situação socioeconômica, estilo de vida e estado de saúde. As mulheres frequentemente enfrentam múltiplas demandas e responsabilidades, tanto no âmbito profissional quanto doméstico. (SENICATO et al, 2018)


Essa carga emocional e cognitiva pode levar a uma sobrecarga mental, que se manifesta de diversas formas:


1. Saúde Mental: A sobrecarga mental está diretamente relacionada ao aumento do estresse, ansiedade e depressão entre as mulheres. A pressão para equilibrar carreiras, responsabilidades domésticas, cuidados com a família e expectativas sociais pode resultar em esgotamento emocional severo.


2. Saúde Física: Além dos impactos psicológicos, a sobrecarga mental também contribui para problemas físicos como distúrbios do sono, dores musculares, e até mesmo complicações cardiovasculares. O estresse prolongado pode enfraquecer o sistema imunológico e aumentar o risco de doenças crônicas.


Com relação ao trabalho doméstico, um estudo realizado por Senicato et al, que buscou avaliar os fatores socioeconômicos e demográficos, os comportamentos e as morbidades associados ao transtorno mental comum em mulheres adultas, revelou que as mulheres que são donas de casa apresentam maior impacto negativo na saúde mental em comparação com aquelas que trabalham fora, sugerindo que certas características associadas ao trabalho doméstico, bem como estereótipos sociais, podem ser prejudiciais para o bem-estar mental e emocional. Os autores argumentam que a rotina, a monotonia do cotidiano das donas de casa e a falta de valorização do trabalho doméstico são fatores distintos e significativos que contribuem para esses prejuízos na saúde mental.


Fatores Contribuintes

Vários fatores contribuem para a sobrecarga mental feminina:

  • Expectativas Sociais: As mulheres muitas vezes enfrentam expectativas irrealistas de perfeição e equilíbrio em todas as áreas da vida.

  • Divisão Desigual do Trabalho Doméstico: Mesmo com avanços sociais, as mulheres ainda tendem a assumir a maior parte das responsabilidades domésticas e de cuidado.

  • Desigualdade no Mercado de Trabalho: A persistência de disparidades salariais e limitações de oportunidades profissionais também contribui para a carga mental das mulheres.


Medidas de Prevenção e Autocuidado

É fundamental implementar estratégias para prevenir e lidar com a sobrecarga mental feminina:


1. Reconhecimento e Compartilhamento: Reconhecer a sobrecarga como um problema real e compartilhar experiências com outras mulheres pode reduzir o isolamento e promover apoio mútuo.

2. Estabelecimento de Limites: Aprender a estabelecer limites claros, tanto no trabalho quanto em casa, é essencial. Isso inclui aprender a dizer não e delegar tarefas sempre que possível.

3. Práticas de Autocuidado: Incorporar rotinas regulares de autocuidado, como meditação, yoga, exercícios físicos, e tempo para hobbies, pode ajudar a reduzir o estresse e fortalecer a resiliência emocional.

4. Busca por Apoio Profissional: Não hesite em procurar ajuda de profissionais de saúde mental, como psicólogos e terapeutas, para desenvolver estratégias eficazes de enfrentamento e apoio emocional.


Conclusão

A sobrecarga mental feminina é um desafio persistente que requer atenção urgente. Ao reconhecer seus impactos negativos na saúde mental e física das mulheres e ao adotar medidas práticas de prevenção e autocuidado, podemos ajudar a construir um ambiente mais equilibrado e saudável para todas. Por meio da conscientização e ação coletiva, podemos trabalhar para reduzir a sobrecarga mental feminina e promover um futuro mais justo e saudável para todas as mulheres.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Pereira JS, Valença MAF, Barbosa VFB, Alexandre ACS, Santos SC, Leal RC. Perfil sociodemográfico e epidemiológico das mulheres usuárias de um centro de atenção psicossocial. 2020 jan/dez; 12:833-839. DOI: http://dx.doi.org/0.9789/2175-5361.rpcfo.v12.7813.


Selicato C, Azevedo RCS, Barros MBA. Transtorno mental comum em mulheres adultas: identificando os segmentos vulneráveis. Ciênc. saúde colet. 23 (8). Ago 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232018238.13652016


6 visualizações

Comments


bottom of page